Gary Shilling prevê recessão até 2026: economia americana está em perigo
O economista experiente Gary Shilling, ex-estrategista da Merrill Lynch, alertou que os Estados Unidos estão provavelmente a caminho de uma recessão até o final de 2026. Segundo ele, essa possibilidade decorre do enfraquecimento dos fundamentos econômicos, da desaceleração da atividade do consumidor e das avaliações elevadas do mercado de ações. Shilling afirmou que apenas um estímulo fiscal significativo ou um gasto do consumidor inesperadamente forte poderiam evitar uma recessão, mas considerou ambos os resultados improváveis. Ele apontou sinais de desaceleração do momento econômico, incluindo um mercado imobiliário estagnado, investimentos empresariais mais fracos e crescente pressão financeira sobre as famílias.
A economia americana enfrenta desafios, como a inflação elevada, que atingiu 12,5% ao ano em março, devido ao aumento dos preços da energia. Isso coincide com um crescimento da renda pessoal disponível em apenas 0,4%, o menor ritmo em quase três anos, e uma taxa de poupança pessoal de 3,6%, a mais baixa desde 2022. O mercado de trabalho também mostrou sinais de fraqueza, com o crescimento dos investimentos privados limitados a 3,9% no final do ano passado, bem abaixo do crescimento superior a 24% durante a era da pandemia. O setor imobiliário permanece praticamente congelado devido às altas taxas de juros, que afetam a acessibilidade e a demanda por moradias. Por outro lado, o consumo das famílias, responsável por cerca de dois terços da atividade econômica dos EUA, manteve-se relativamente estável, com crescimento anual de cerca de 2% em março.
Shilling também alertou que as ações estão cada vez mais vulneráveis a uma correção acentuada, devido a métricas de avaliação historicamente altas, como a relação Shiller CAPE, que está próxima dos níveis observados durante a bolha da internet. Além disso, as relações preço-venda e preço-valor contábil do S&P 500 estão em máximos históricos. O cenário econômico incerto pode pressionar ainda mais os mercados financeiros, especialmente se as condições econômicas continuarem a se deteriorar. A maioria dos analistas concorda que a continuidade de uma política monetária restritiva e a desaceleração da economia global são fatores que influenciam esse cenário.
Em um contexto de desafios econômicos, os investidores buscam estratégias consistentes para obter retorno sem depender de ciclos de mercado imprevisíveis. Enquanto isso, o governo e o Federal Reserve enfrentam o desafio de implementar políticas que possam mitigar esses riscos e estimular a economia. A desaceleração do crescimento econômico e o aumento das pressões inflacionárias configuram um cenário complexo para os formuladores de políticas nos próximos anos. Nesse ambiente, espera-se que os agentes econômicos monitorem atentamente os indicadores econômicos e ajustem suas estratégias de acordo com a evolução do cenário.
